Te vejo na praia! Por: Elias Santana

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Garantidamente, esse é o título de um dos eventos mais badalados atualmente da Capital Federal! Apesar de ser realizado também em outras localidades, o apelo em torno da edição brasiliense é forte, uma vez que os habitantes daqui estão tão distantes do incrível litoral brasileiro!

Nesta semana, ao olhar para o nome do projeto, inúmeras reflexões linguística povoaram a minha cabeça. Gostaria de compartilhá-las com vocês!

  1. O sujeito da forma verbal “vejo” é classificado gramaticalmente como elíptico, desinencial ou oculto. Pode-se perceber que, implicitamente, há um eu (primeira pessoa do singular) antes do verbo. Se, por acaso, o nome do evento fosse eu te vejo na praia, o sujeito seria classificado como simples, uma vez que está verbalmente expresso.
  2. Chama a atenção também o fato de o nome do evento começar com “te”. Segundo a norma padrão, é proibido o uso de pronomes oblíquos átonos em início de frase – portanto, há uma incorreção gramatical. Opções gramaticalmente corretas seriam vejo-te na praia (com o pronome em posição enclítica) ou eu te vejo na praia (a presença do sujeito licenciaria a próclise); todavia, as formas gramaticalmente corretas não possuem o mesmo apelo mercadológico. Usar adequadamente uma língua exige discernimento. O objetivo do evento é promover entretenimento, e não prescrever regras linguísticas. Você já ouviu falar em licença poética? Chamarei o que os criadores do projeto fizeram de licença comercial. Nesse caso, o marketing deve falar mais alto!
  3. O pronome “te” foi empregado com a função sintática de objeto direto, pois quem vê, vê alguém! E há algo legal nisso: como esse pronome é de segunda pessoa, faz referência à pessoa com quem se fala! Então, o título dialoga com o próprio receptor da mensagem – que é o objetivo de qualquer propaganda! É um objeto direto em contato direto com o potencial cliente!
  4. “Na praia” – que é inclusive a abreviatura comumente usada entre as pessoas que prestigiam o evento – funciona como um adjunto adverbial de lugar! Por estar em posição canônica, poderia ser ou não isolado por vírgula. Mas, convenhamos: o sinal de pontuação não deixaria o título tão atraente!

Viu como a língua portuguesa está em diversos contextos? E mais: viu como ela deve ser moldada para cada uma das suas finalidades? A língua é um instrumento, e cabe ao usuário saber o que quer extrair dela!

Aposto que a sua próxima visita ao “Te vejo na praia” não será mais a mesma – pelo menos do ponto de vista linguístico! Logo na entrada do evento, você vai se divertir imensamente com as possibilidades de análises sintáticas ligadas aos letreiros e flyers!

P.S.: Acho que nunca fiz um texto tão nerd!


Elias Santana

Licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Respectiva Literatura – pela Universidade de Brasília. Possui mestrado pela mesma instituição, na área de concentração “Gramática – Teoria e Análise”, com enfoque em ensino de gramática. Foi servidor da Secretaria de Educação do DF, além de professor em vários colégios e cursos preparatórios. Ministra aulas de gramática, redação discursiva e interpretação de textos. Ademais, é escritor, com uma obra literária já publicada. Por essa razão, recebeu Moção de Louvor da Câmara Legislativa do Distrito Federal.


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