Até quando?

Mais um trabalhador, policial militar, tomba no cumprimento do dever e nos deixa estarrecidos pela forma, aparentemente boba, como tudo ocorreu. A equipe deslocou para atender a uma ocorrência teoricamente simples de perturbação do sossego, lá em Goiás. Ao chegarem ao local, provavelmente, visualizaram uma situação já corriqueira. A ocorrência se desenvolveu como de rotina, ou seja, aglomeração de pessoas, perturbação da paz, poucos policiais e nada de equipamentos adequados para aquela operação. O resultado foi quase o normal, ou seja, policiais perdidos e sem procedimento, população tentando impedir o trabalho policial, nervos a flor da pele, confusão, descontrole e morte de inocentes.

O que me incomoda em toda essa situação é que daqui a pouco esquecemos o que houve e tudo entra novamente apenas em mais um incremento de estatísticas. As verdadeiras causas do que ocorreu de fato novamente serão ignoradas e tudo volta à estaca zero.

Num momento de extrema violencia e um estado de insegurança sem precedentes que vivemos, governos insistem em ignorar as condições de trabalho a que são submetidos aqueles que fazem a linha de frente no combate à criminalidade, seja ela em que grau for.

É nítido o despreparo de nossas forças de frente que, sem investimentos em treinamento e aperfeiçoamento profissional, são jogadas para o enfrentamento de uma questão tão grave no seio social, qual seja, a intolerância, o desrespeito, a falta de princípios, etc.

Equipes recebem, ao entrarem nas carreiras de segurança pública, um treinamento inicial que lhes dá um preparo mínimo para iniciarem suas profissões, depois, abandonados à própria sorte, são lançados em escalas apertadas, trabalhos exaustivos, operações perigosas, sem equipamento adequado, sem armamento apropriado, com emocional destroçado, e com motivação zero. Neste momento são apanhados pelo pior dos inimigos daqueles que trabalham em atividades de segurança pública, a rotina.

A rotina de ocorrências efetivadas de qualquer jeito, que nunca dão em nada, associada à falta de treinamento, levam o profissional a um estado letárgico que o impede de tomar as posturas e cautelas que a abordagem merece. O resultado é o que temos visto constantemente na mídia, vidas sendo perdidas de bobeira, sem sentido, numa crueldade incompreensível e que nos deixam aterrorizados.

Mas o que mais causa indignação é que não existe o “mea culpa”. Ninguém assume sua parte no erro. É todo mundo jogando a culpa nas costas de todo mundo, e invariavelmente nas do outro.

E nós mortais, atônitos, continuamos ouvindo desculpas e assistindo aquele infindável jogo de empurra. Até quando?

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Source:: Direito das Sucessões

      

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